Por Everlando Mathias
25/06/2019 - 17:58:19 - atualizado em 25/06/2019 às 17:58:44

CPA sugere a criação de uma comissão para discutir questões da Amcel e agricultores

02

Agricultores da comunidade Nova Conquista, localizada na comunidade do Flexal, em Pracuuba, voltaram a lotar as galerias da Assembleia Legislativa, na manhã desta terça-feira (25/6/2019), durante a reunião da Comissão de Políticas Agrarias (CPA), presidida pelo deputado Jesus Pontes (PTC), que contou ainda com a presença do gerente administrativo e jurídico da Amcel, advogado José Antônio Leal da Cunha e a relações publica Heloisa Melém, para encontrar uma solução envolvendo a empresa e agricultores, que segundo a Amcel, está ocupando de forma ilegal suas propriedades.
 
De acordo com o coordenador geral da Associação dos Agricultores Juntos Venceremos do Estado do Amapá, Raimundo Alves de Sousa, existe um impasse entre a Amapá Florestal e Celulose S.A (Amcel), que trabalha na exportação de cavacos de eucalipto, plantados em uma área de cerca de 180 mil hectares abrangendo sete municípios do Amapá: Santana, Macapá, Porto Grande, Ferreira Gomes, Itaubal do Piririm, Tartarugalzinho e Amapá. ?São mais de 400 famílias que estão assentadas na comunidade Flexal e estão sendo literalmente expulsas pela empresa, mediante liminar da Justiça?, reclama o agricultor.

A denúncia, também foi feita à comissão na sessão da última semana, pelo agricultor José Nascimento, conhecido como Piauí, da Associação Nova Conquista, localizada no quilometro 54 da Rodovia 156. Ele solicitou o apoio dos parlamentares. "Há menos de dois meses a empresa, diante de posse de uma liminar da justiça, mandou quebrar as casas dos agricultores da associação deixando as pessoas debaixo de chuva; na minha área dos 74 mil pés de abacaxi plantados, a empresa destruiu 30 mil", revelou Piauí, que está no Amapá há quase trinta anos e trabalha no setor primário. O apelo dos agricultores foi acatado pelo vice-presidente da comissão, deputado Jesus Pontes.

O presidente da Associação dos Pequenos Agricultores Familiares do Amapá, Fernando Sacramento, questionou sobre as terras do Governo Federal que foram devolvidas ao Amapá. "Não queremos brigar com a empresa, apenas queremos trabalhar na nossa terra e produzir para o Estado", disse. "Porque não assenta os agricultores nessas terras que eram da União? Estamos no aguardo do manifesto do Incra e do governo e justamente por conta disso, eu solicito aos senhores deputados que lutem por nós", frisou Fernando Sacramento. 

O advogado Antônio Leal, elogiou a iniciativa da Casa, por intermédio da CPA em buscar solução para a questão e colocou-se à disposição para resolver o problema. ?A empresa está há 40 anos no Amapá, ajudando a desenvolver a agricultura familiar e a economia do Estado?, defende o advogado, informando que a área de 160 mil hectares em questão foi titulada na década de 70, junto ao INCRA. 
O deputado Diogo Senior (PMB), sugeriu a criação de uma comissão composta pelos membros da CPA, Amcel, INCRA e associações de agricultores, para que, juntos possam chegar a uma solução. 

A ideia foi acatada pelo vice-presidente da comissão, deputado Jesus Pontes, que garantiu reunir com as partes envolvidas durante o recesso parlamentar e apresentar uma resposta para a situação na primeira sessão ordinária da comissão o mês de agosto. 

 
Fotos: Gerson Barbosa

Facebook Twitter Google+ Email Addthis
DEPUTADOS