Por Emerson Renon
07/11/2019 - 15:37:21 - atualizado em 08/11/2019 às 10:28:36

Oiapoque registra oito casos de estupros de vulneráveis em menos de cinco dias

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Em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, os casos de abusos sexuais de crianças e adolescentes aumentam assustadoramente. Dados da Polícia Civil revelam que em menos de uma semana oito casos de estupros de vulneráveis foram registrados no município. E o mais assustador, é que todos foram cometidos dentro do próprio domicílio e tendo o consentimento dos pais.

Casos assim vieram ao conhecimento de todos, na audiência pública realizada pela Comissão da Criança e do Adolescente da Assembleia Legislativa que debateu a prevenção de abuso sexual de crianças e adolescentes na área de fronteira na região, na Câmara de Vereadores de Oiapoque, justamente na Casa que tem o papel de defender o direito dos cidadãos.

"Reconhecer que existe o problema dentro do município e no próprio estado, principalmente na área de fronteira, e nós precisamos fazer investimentos por meio dos conselhos, das instituições que são a porta de entrada no combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes para que no futuro possamos dá a garantia a essas crianças", destacou o deputado estadual Diogo Senior (PMB), presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da ALAP.

Além do presidente da Comissão da Criança e do Adolescente, participaram a deputada Cristina Almeida (PSB), os deputa dos Dr. Jaci (MDB), Jamie Perez (PTC), vereadores de Oiapoque e representantes de órgãos ligados ao combate ao abuso de crianças e adolescentes e da sociedade civil organizada.

Foram quase três horas de debate. A cada instante novos fatos eram revelados; como de mães permitindo o abuso de filhas pelos companheiros ou o uso de meninas na prostituição. Iíndice que aumentou após a abertura da ponte binacional, que liga Oiapoque a Saint-Georges.

Segundo os representantes de órgãos ligados combate ao abuso de vulneráveis, são situações que incomodam, mas esbarram na falta estrutura e políticas públicas para o combate a essas práticas abusivas. Mas, não impedem que eles lutem para resgatar a dignidade de quem teve a infância precocemente interrompida.

"Primeiro passo é identificar algum parente próximo em condições de abrigar a vítima, e estamos tentando criar o programa família acolhedora para evitar de mandar essa criança para longe dos parentes para que ela não tenha ainda mais os seus direitos mutilados", disse
a psicóloga Rayane do Nascimento Santos, supervisora do programa Criança Feliz/Rede Acolher.

03Alunos do Projeto "Você não está sozinho", da escola estadual Joaquim Caetano da Silva, apresentou aos participantes as consequências de um estupro. Por conta dos abusos, alguns adolescentes têm atentado contra a própria vida. Mas, os estudantes com uma mensagem amiga querem resgatar meninos e meninas da escuridão.

"Quando percebemos que alguém está se automutilando, já temos o conhecimento de algo está aconteceu e essa pessoa precisa, muitos enxergam isso como brincadeira, mas não é e temos todo um trabalho para nos aproximarmos para escolhermos", explicou psicopedagoga Karla Brarymi, coordenadora do projeto.

Para o presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Assembleia, deputado Diogo Senior são exemplos que irão ajudar a preparar ações de combate ao abuso de crianças e adolescentes, em todo o estado.

Fotos: Kitt Nascimento

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