Por Emerson Renon
20/04/2020 - 19:39:31 - atualizado em 23/04/2020 às 12:36:54

Comissão que acompanha a execução orçamentária no combate à Covid-19 vai convocar secretários para esclarecimentos

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Dois secretários estaduais serão convocados a prestar esclarecimentos aos parlamentares que integram à Comissão de Acompanhamento da Situação Orçamentária e Financeira das Medidas Relacionadas à Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional Relacionada ao novo coronavírus da Assembleia Legislativa. Os requerimentos foram aprovados em reunião remota realizada nessa segunda-feira (20/4/2020)
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A autoria dos pedidos é assinada pelos deputados que compõem a comissão. Os secretários de Saúde, João Bittencourt e da Fazenda, Josenildo Abrantes, serão chamados. ?Queremos entender os procedimentos adotados tanto para aquisição de produtos como o de EPIs, uma vez que há queixas de superfaturamento, como para criação de centros para o tratamento de Covid-19?, esclareceu o presidente da comissão, deputado Max da AABB (SD).

Segundo o parlamentar, a convocação servirá, também, para responder as declarações feitas pelos representantes ligados a saúde. Em quase três horas, representantes da Associação dos Servidores que Exercem suas Funções no Serviço de Atendimento Móvel de urgência no Amapá (Assamu-AP), do Conselho Estadual de Saúde, dos servidores do MPE e do Sindicato de Enfermagem e Trabalhadores da Saúde do Amapá (Sindsaúde), detalharam as condições as quais os profissionais da saúde são submetidos.

O representante do Conselho Estadual de Saúde, Kliger Campos, disse que o Centro de Tratamento para a Covid-19, montado no Hospital de Emergência, funciona com 50% de sua capacidade. Dos 26 leitos prometidos, 13 estão disponíveis. Falou, também, sobre a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), medicamentos e equipamentos tanto para a estruturação integral dos leitos de UTI, como para o trabalho dos profissionais. "Os profissionais estão tento que reutilizar às mascaras e macacões, que deveriam ser descartáveis", denunciou Kliger Campos.

"Nós do Samu não temos espaço adequado para a nossa higienização, após atendimento a um paciente com suspeita de coronavírus?, conta Cleiser Ruan Souza, presidente da Assamu-AP. ?Nós trocamos de roupa a menos de um metro e meio um do outro e colocamos em risco a vida dos demais funcionários", arrematou.

O presidente da associação solicitou aos parlamentares para pressionar o governo a inaugurar o prédio construído para funcionar a Central de Regulamentação, no Pacoval, que está dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde. ?Nós não recebemos recursos desde 2017 justamente porque a atual Central de Regulamentação está fora dos padrões recomendados pelo MS?, revelou.

Outro dado importante foi quanto aos 50 profissionais afastados dos cargos por estarem com a Covid-19. As informações foram repassadas pela presidente do Sindsúde, Alcilene Furtado Batista. Segundo ela, os profissionais são do HE, Pronto Socorro de Santana e da UPA da Zona Norte e da Psiquiatria. "Nós que estamos na linha de frente no combate à Covid-19, somos contaminados por conta da falta de EPIs", disparou Alcilene.

Preocupa também a falta de pagamento a servidores terceirizados. De acordo com os representantes, tem profissional que não recebe há seis meses. "Os trabalhadores de uma empresa responsável pela limpeza dos hospitais estão quatro meses sem receber e prometem paralisar as atividades, o que pode antecipar o caos na saúde", revelou Kliger Campos.

"Todas as informações passadas nos ajudarão a desenvolver um trabalho melhor e contribuir com o Estado para o controle do coronavírus", destacou o presidente da comissão.

Fotos: Divulgação

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