Por Everlando Mathias
21/09/2020 - 19:02:22 - atualizado em 25/09/2020 às 09:33:25

Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa entrega reivindicações ao comandante geral da PM no Amapá

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A forma de abordagem e a prisão da pedagoga Eliane Espirito Santo da Silva, 39 anos e seu esposo, pela Polícia Militar do Estado do Amapá, gerou repercussão nas redes sociais locais e na imprensa nacional e culminou com o afastamento dos militares envolvidos na ação.

Na Manhã desta segunda-feira (21/09/2020), integrantes da Procuradoria Especial da Mulher, órgão ligado à Assembleia Legislativa do Amapá (Alap), estiveram reunidas com o comandante geral da Polícia Militar, coronel Paulo Matias, e, entregaram um ofício solicitando que sejam adquiridas câmeras corporais a serem instaladas nos uniformes dos policiais militares, a fim de garantir mais transparência às ações policiais.

"Na oportunidade, solicitamos, ainda, que haja o aperfeiçoamento da tropa no tocante ás técnicas de abordagem, como medida para conter os casos de violência policial", destacou a deputada Cristina Almeida, que juntamente com as deputadas Telma Gurgel, Edna Auzier, Aldilene Souza, Telma Nery e Allinny Serrão, compõem a Procuradoria Especial da Mulher, na Alap.

Outro ofício com o mesmo teor, foi entregue ao Secretário de Justiça e Segurança Pública do Amapá, coronel José Carlos Corrêa de Souza.
Acompanhado do Corregedor da Polícia, coronel Edilelson Batista, o comandante Paulo Matias, informou que logo após ter conhecimento do caso, reuniu com os comandantes de batalhões, e ordenou que seja feito um treinamento com a finalidade de revisar as técnicas de abordagem empregadas aos cidadãos.

"Não concordamos com esse desvio de comportamento, já foi instaurado inquérito na Corregedoria Geral da PM para apurar os fatos. Temos falhas e precisamos melhorar?, frisou o coronel Paulo Matias, destacando que a Polícia Militar do Amapá, tem sido referência na formação de novos soldados. No total dez estados, incluindo Paraná, enviaram soldados para receberem instruções no Amapá.

Para a deputada Telma Gurgel, o trabalho desenvolvido pela Polícia Militar do Amapá, merece ser destacado e elogiou a  iniciativa do comandante Paulo Matias em relação ao caso.

De acordo com a polícia, as abordagens devem respeitar a integridade física e a dignidade das pessoas e a corporação se disse "contra qualquer tipo de violência praticada ao cidadão". Em resposta numa rede social a uma pessoa que disse que a atitude envergonha as forças de segurança, a PM respondeu: ?Estamos muito envergonhados. Lamentamos profundamente".

O caso aconteceu na zona norte da capital do Amapá. Quanto estavam chegando em casa vindo de uma festa de aniversário, o  carro onde estava a pedagoga e a família foi abordado por uma viatura da Polícia Militar, enquanto os militares realizavam a revista nos homens, a pedagoga começou a filmar com seu celular. Um dos policiais deixa o local em que estava, atravessa a rua e diz à mulher que ela está presa. Em seguida, tenta retirar o celular das mãos dela e lhe passa uma rasteira. Eliane resiste, mas segundos depois, é jogada ao chão. A ação envolveu sete viaturas.
Com a mulher caída, o policial militar dá um soco em seu rosto e ela começa a gritar. Depois, Eliane e o esposo, foram levados para o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Cisop) no bairro Pacoval, onde ficaram quatro horas presos por resistência e desacato, e soltos após o pagamento de fiança, de R$ 1.600,00. "Dinheiro que foi devolvido na manhã do dia 21", informou a deputada Cristina Almeida.

A deputada Edna Auzier, mostrou indignação quanto o motivo da prisão da pedagoga. "Em pleno século 21, não podemos aceitar esse tipo de ação truculenta. As câmeras de celulares fazem parte do nosso cotidiano", frisou a deputada.

O comandante informou as parlamentares que por meio do Centro Psicosocial, é feito atendimento aos militares envolvidos em casos de desvios de condutas e confronto realizados pelo BOPE e Força Tática, que terminam em mortes.

Durante a conversa a deputada Aldilene Souza, relatou fatos ocorrido com ela, quando prestava serviço para a Policia Militar. "Muitas vezes fui humilhada e assediada, assim como algumas das minhas funcionárias. É triste, não podemos fechar os olhos ou cruzar os braços para tais fatos, como esse que aconteceu com a pedagoga".

De acordo com o corregedor de Polícia, coronel Edilelson Batista, o inquérito tem um prazo de 20 dias para ser concluído, mas pode ser prorrogado por mais 20 dias.

Fotos: Kitt Nascimento

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